Quem gosta de carros sabe que o acabamento dos mesmos na Europa ou nos Estados Unidos é muito superior àquele que encontramos por aqui. Há vários motivos para isso. Leis mais austeras, impostos mais baixos e, principalmente, clientela mais exigente. Nós, brasileiros, nos agradamos com pouco. Muito pouco.
Aceita-se de tudo, reclama-se pouco. Esmola nos faz feliz.
No meu trabalho critiquei alguns atrasos na entrega de projetos. Me chamaram de "Sargento", como se exigir que solicitações fossem cumpridas em tempo hábil fosse excesso de disciplina. A explicação que ouvi: "todo mundo atrasa".
Operadoras de celular são um capítulo à parte. Atendimento de péssima qualidade é quase rotineiro. Conversando com amigos, escuto: "nem esquenta, é assim mesmo".
Sem neuroses, todos deveríamos exigir que as coisas tivessem mais qualidade. Serviços ruins não deveriam ser comprados. Empresas que não respeitam o cliente deveriam ser preteridas. Produtos que não funcionam porque foram feitos com falhas ou porque o suporte é de baixa qualidade, deveriam ser desprezados.
Temos que ser coerentes!
Como reclamar de qualquer coisa se somos os primeiros a dar nosso dinheiro para aquilo que não presta? Quando um vendedor o atende mal, você volta a comprar na mesma loja? Se volta, não tem o direito de reclamar: gosta de ser capacho dos outros. Se o seu celular falha o tempo todo, você aceita desculpas e continua na mesma operadora? Então não tem o direito de reclamar, já que gosta de pagar para ter um serviço ruim.
Temos que ser intolerantes!
Quanto você ganha? Quanto do seu salário você usa para ter celular, TV por assinatura, carro ou qualquer outra coisa? Você deve gastar muito, aposto! Empresas não fazem caridade... elas pegam o seu dinheiro em troca de alguma coisa. É inadmissível pagar por má qualidade sem botar a boca no trombone!
A relação de consumo com as empresas melhorou muito nos últimos 20 anos. O nosso CDC - Código de Defesa do Consumidor é um dos mais avançados do mundo. A internet é uma poderosa ferramenta para dar voz aos insatisfeitos. Falta agora sair da inércia e tornar o consumo consciente uma realidade e não uma exceção.