Temos um carro em nossa empresa que está comemorando seus 30.000Km. Como presente, lhe demos uma revisão, seguindo as ordens explícitas no manual do usuário. Na hora do orçamento, tivemos até uma pontada no fígado: R$ 480,00!
Meu sócio na concessionária e eu ao telefone, em nosso escritório. Disparei a pergunta à queima-roupa: por quê tão caro?
Meu sócio fazia o papel de pombo-correio, repetindo minhas perguntas ao consultor técnico da concessionária. Eu ía ouvindo as respostas ao fundo. O consultor explicou a lista de tarefas previstas, incluindo dois servicinhos "indicados pela montadora": a limpeza do sistema de injeção eletrônica e a limpeza do sistema de arrefecimento. Em português o primeiro serviço implica em limpar os bicos injetores por onde passa o combustível. O segundo significa esvaziar o radiador, fazer uma limpeza e encher tudo de novo.
Sem estes itens a revisão dos 30.000Km custaria R$ 180,00.
Acontece que a Bosch, principal fabricante de componentes de injeção eletrônica no país, soltou um comunicado criticando a prática e explicando que a limpeza da injeção não é necessária, em função da altíssima pressão com a qual o combustível passa por aí. Em outras palavras, a pressão mantém tudo limpo. Já no que diz respeito ao radiador, um sistema fechado não apresenta sujeira que justifique sua limpeza em 30.000Km.
Informação é a palavra-chave. Se não conhecêssemos a informação da Bosch, talvez tivéssemos pago por este serviço desnecessário. Obviamente mandamos fazer apenas os serviços exigidos pela garantia, mas a má-fé do consultor foi extremamente desagradável.
Além de empurrar um serviço desnecessário, este profissional-lixo mente, dizendo que a montadora indica este serviço. Tudo isso dito em um tom pouco simpático e nada vendedor, como se estivéssemos pedindo um favor ao invés de contratar um serviço pago.
Muitas vezes o dono de uma empresa desconhece o comportamento de seus vendedores, sem saber que estão agindo de má-fé ou passando informações incorretas. Em outros casos o próprio dono da empresa incentiva esta postura, acreditando que, para aumentar o faturamento tudo é permitido. Não importa. Em qualquer um dos casos o cliente é feito de idiota e, quando descobre que foi enganado, procura outra empresa para entregar seu dinheiro.
Para concluir a minha história, entrarei em contato com a Volkswagen (marca do nosso carro) e fornecerei o nome da concessionária (Sabrico, em S. Paulo) e do consultor, cobrando explicações. A Volks, por sua vez, tem duas possíveis ações: pode tomar providências ou pode se fazer de cega, surda e muda. Dependendo da resposta que eu receber, posso esquecer que compro carros VW há mais de 20 anos e, na minha próxima compra, quem sabe, pensar num Fiat, GM, Ford ou qualquer outro.
Tome cuidado quando um vendedor lhe empurrar algo que você não precisa. Se você tem uma empresa, lembre-se de pensar como um consumidor, mesmo quando estiver analisando o seu negócio e nunca se esqueça que você e outras pessoas estão lendo este texto e que opiniões negativas nem sempre podem ser controladas.