Desde que o homem começou a escrever sua história, a música está atrelada a ela. Não há período na história da humanidade que não possa se encontrar refletido na música.
Os gregos, por intermédio de Platão, acreditavam que o homem ideal seria o que cultivasse a música e a ginástica, tendo assim o espírito e o corpo desenvolvidos. O teatro grego fundia poesia e música numa coisa só. Os povos indígenas de todos os cantos do mundo sempre tiveram na chamada "música tradicional" uma forma de cultuar as suas divindades. Os hebreus oravam através do canto de salmos, a chamada Salmodia. Os monges da Idade Média, se utilizavam do "canto gregoriano" como um meio de provocar, por meio da música, uma espécie de "hipnose" em quem o ouvia. Isso fazia parte de uma "tática" utilizada pela igreja, junto à suntuosidade de seus templos, de fazer com que as pessoas que a freqüentavam se sentissem como que inferiorizadas perante a grandeza de Deus e assim passassem a respeitar seus dogmas.
A igreja sempre foi uma das grandes responsáveis pelo desenvolvimento da música. A religiosidade sempre foi um meio de expressão que os grandes criadores tiveram. Até o final do século XVIII não havia cidade nos países europeus como a Itália, a Alemanha, a França, a Inglaterra, que não tivesse em suas igrejas um compositor com a obrigação de compor músicas destinadas aos cultos.
Durante o Renascimento, a música foi cultivada como nunca. Em todos os cantos existiam pessoas que, por intermédio de saraus, cultos religiosos e festas profanas, se envolviam e praticavam música.
Nessa época não se cultuava, como hoje, um músico como alguém munido de um "dom especial". Isso infelizmente é uma herança do século XIX que acabou criando um tabu.
No período do Romantismo, o artista passou a ser considerado como que um intermediário entre Deus e o homem, uma espécie de "semideus". Formou-se aí um grande equívoco, pois a música não deveria ser vista como algo acessível apenas aos "eleitos", mas sim como uma herança cultural que a humanidade tem como um todo e que deve ser passada adiante.
A prática musical é e deve ser acessível a qualquer pessoa. Independentemente do grau de desenvolvimento que cada um de nós possa atingir na prática musical, o que deve sempre ser levado em consideração é que ela não é reservada a algumas pessoas em especial. Isso é um tabu que deve ser quebrado e que um dia há de ser.