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Publicado em: 25/07/2013

O mineiro gosta de queijo e muita gente gosta do queijo de Minas Gerais. A novidade é que o Sul de Minas tem se destacado nacionalmente pela produção de queijos finos. Recentemente, quatro tipos venceram um concurso nacional e uma das receitas, chamado de "A Lenda", foi premiado na categoria produto inovador e de alta qualidade.

Além do sabor, o mais interessante é a história da receita do queijo, encontrada em um cofre deixado pelos antigos donos da fábrica em Cruzília (MG) onde ele é produzido. Reza a lenda (e o marketing na embalagem), que o queijo é feito a quatro mãos: a dos funcionários que estão na fábrica hoje e a dos que já se foram e dão uma "ajudinha" na produção.

A receita do queijo chamado de "A Lenda" existe há pelo menos 80 anos, mas ela só foi descoberta em 2009, quando funcionários do laticínio em Cruzília encontraram um cofre no prédio comprado pela empresa. Dentro dele foram encontrados alguns documentos antigos e a surpresa: uma receita e uma lata com fermento. Ao todo, foram três anos de estudos para recuperar a fórmula.

Produção

O queijo Lenda começou a ser produzido no fim do ano passado. Na receita há leite, cloreto de cálcio, fermento, coagulante e sal. Todos os ingredientes passam por análise no laboratório. A produção é parecida com a de outros tipos de queijo. O leite chega pasteurizado às máquinas, depois vai para uma câmara, onde é aquecido numa temperatura de até 34º C. Todo o processo de produção dura em média seis horas.

Depois de receber a tinta comestível, o queijo vai para o processo de maturação. Durante 120 dias ele fica em uma sala em uma temperatura de 10º C, até alcançar o ponto ideal para consumo. Júnior Heleno do Prado é um dos funcionários que toma conta do queijo Lenda, mas ele confessa que só fica perto do produto durante o dia.

"Quando a gente vai embora, chega no outro dia o queijo está limpinho, está virado. Os mais velhos contam que o pessoal que já morreu, que já se foi, para matar a saudade, volta aqui à noite para trabalhar mais um pouquinho, para matar saudade, porque foi um queijo produzido por eles", conta Júnior Heleno do Prado, auxiliar de produção.

Depois de pronto, o queijo Lenda fica em uma loja em Cruzília que pertence à própria fábrica, e só é possível encontrar o produto nesta loja, por enquanto. A empresa vai fazer um registro no Ministério da Agricultura para que o queijo possa ser comercializado em todo país. O preço varia de R$ 40 a R$ 50 o quilo.

História

Quem trabalha na fábrica diz que o queijo é feito a quatro mãos: pelos funcionários que hoje trabalham no lugar e por profissionais que já morreram e de vez em quando voltam para colaborar com a produção.

Assombrações à parte, a história da fábrica de queijos começa em 1948, quando o comerciante José Moreira de Almeida, com apenas 19 anos de idade, saiu de sua cidade natal, Conceição de Ibitipoca (MG) e foi para São Paulo. Na capital paulista, ele adquiriu uma pequena banca de 6 m² dentro do Mercado Municipal, onde ficou por mais de três décadas.

No final dos anos 1980, Almeida achou que era o momento da empresa fabricar seus próprios queijos e resolveu se mudar para o interior de Minas Gerais, em Cruzília, onde acreditava encontrar o melhor leite para a produção de queijos finos. A produção começou com queijos prato e meia cura. Hoje a empresa produz mais de 20 tipos de queijos e distribui o produto por todo o país. O atual proprietário herdou a empresa do pai.

Reconhecimento

Um revestimento escuro diferencia o produto. Por dentro, um queijo amarelinho e macio. No rótulo, a frase indicando a produção a quatro mãos, as dos queijeiros do laticínio e as dos que já passaram pelo local.

Mas tanto mistério não chama a atenção só de quem produz o queijo. O sabor foi considerado novo e conseguiu o primeiro lugar na categoria "produto inovador e de alta qualidade" do Concurso Nacional de Produtos Lácteos, realizado em Juiz de Fora (MG) na última semana. O concurso é promovido há 40 anos pelo Instituto de Laticínios Cândido Tostes, ligado à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). A disputa envolveu 54 indústrias de oito estados (MG, SP, SC, BA, PR, GO, RS E RJ).

Outros dois queijos do Sul de Minas venceram em outras categorias do concurso: o provolone, o queijo prato e o queijo gouda de um laticínio de Luminárias (MG) e o queijo gorgonzola de um laticínio de Lavras (MG).




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