Que tipo de divulgação é a mais indicada para se vender um produto? Quem estiver atento vai dizer: "depende do produto". Um candidato! Para ser mais específico, um candidado a vereador.
Há algum tempo, divulgação de candidato era simples: bastava emporcalhar cada centímetro disponível com cartazes, muros pintados, faixas, adesivos ou qualquer outra coisa que servisse para mostrar um nome e um número. Somado a isso, um show aqui outro ali, um comício e uns carros de som. Para fechar com chave de ouro, camisetas vagabundas e algumas toneladas de santinhos com o melhor sorriso do candidato!
Hoje, parte disso não é permitida... infelizmente sobrou uma parte que é.
Na cidade onde trabalho (voto em outro local) sou capaz de dizer o nome de muitos candidatos, o número de alguns e de cantar o jingle de dois ou três deles. Curiosamente NÃO EXISTE nenhuma informação decente que me dê condições de concluir qual é o melhor candidato, o mais capacitado. Simplesmente não conheço uma única proposta de qualquer candidato.
O que vemos é a repetição de receitas batidas para empurrar meia dúzia de politiqueiros a um monte de eleitores-papagaio, que não sabem pensar, mas que aprendem a repetir os números que tanto escutam. Repita o número até que o povão, que mal sabe escrever, esteja adestrado para apertar uns botões na urna eletrônica e boa eleição!
Em 1800 e pouco já se fazia divulgação de produtos e serviços no Brasil. Um sujeito saía berrando os pontos fortes de um produto pelo meio da rua. Nos primórdios da TV no país, atrizes famosas apareciam segurando um produto e diziam que ele era o melhor. No meio do século passado, alguns americanos levaram a propaganda ao próximo nível, criando conceitos e profissionalizando-a. Isso melhorou seus resultados e transformou tudo em uma ciência. Podemos pensar que voltamos a 1800 quando passamos no centro de SP e vemos homens-placa divulgando compra e venda de ouro... aí vem as eleições e vemos que, não importa quão ruim está: sempre pode piorar!
E qual é a maneira mais indicada para divulgar um candidato a vereador? Não sei a resposta e, sinceramente, não quero saber. Sou bombardeado com tanto lixo eleitoral (desde os malditos carros de som até a propaganda eleitoral que me é imposta na TV) que desenvolvi um profundo asco deste tipo de "produto". Tenho nojo. Não conseguiria pensar em uma solução para vender um produto no qual não consigo ver qualquer ponto positivo.
Antes de ser um moralista, um alienado, ou de dizer que o país é um lixo porque gente como eu não quer se envolver com política, faça uns testes:
1) Você vai vender casas em um condomínio e o Fernandinho Beira-Mar é um dos moradores. Como você divulga esta atração no seu projeto?
2) Você vai divulgar um novo modelo de carro, mas ele consome muita gasolina, é inseguro e tem chumbo no volante: quem dirige desenvolve cancer nas mãos em 2 ou 3 meses. Como divulgar esta maravilha da engenharia?
Lógico que poderíamos criar boas propagandas com um pouco de humor... mas se fosse coisa séria, aí ficaria difícil. É complicado vender aquilo que não nos convence, não é? Ainda mais quando, mesmo sendo publicitários, insistimos em não ser mercenários.
Mas, vamos continuar a brincadeira: e se eu tivesse um amigo competente, realista, ótimo administrador, inteligente e com ótima visão de negócio e de futuro, que fosse candidato a vereador? Oras, se ele fosse tudo isso, jamais subordinaria sua enorme capacidade a um sistema viciado, corrompido e altamente ineficaz.
Enfim, a boa propaganda é aquela que atinge em cheio nossas expectativas. É aquela que nos pega de forma tão certeira que não temos como nos defender daquilo que ela divulga. Uma boa propaganda é quase música nos nossos ouvidos... é tão bela, tão suave e tão precisa, que nos faz esquecer da seriedade do que estamos vendo e nos faz, por alguns segundos, relaxar e dar um breve sorriso de satisfação. É quando criamos um vínculo com o produto e, aí, a propaganda atingiu seu objetivo. Neste sentido, uma divulgação excelente para um candidato a vereador poderia ser:
"Aqui jaz 'Fulano de Tal', candidato a vereador"
Sorria. Sem humor a vida pode ficar quase tão intragável quanto a política! ;-)