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Publicado em: 06/10/2008

Em quem você votou para vereador? Quais eram as propostas do seu candidato? Faça esta pergunta a 10 ou 20 pessoas e confirme que quase todos votaram em um candidato por qualquer motivo, menos por sua proposta de trabalho. Votaram porque são amigos ou porque recebem (ou receberam) algum tipo de favorecimento.

Eleitores e a mídia adoram falar da festa da democracia, do poder do voto. Hipocrisia, pura balela. O processo eleitoral é tratado com desdém por 95% das pessoas. Para dar um exemplo, em Santo André/SP, quando a apuração batia em metade das urnas, a soma de brancos, nulos e abstenções batia em 34%. Isso é uma evidência que até um cego consegue enxergar!

Quer mais um absurdo? Analfabeto pode votar! Como uma pessoa que não tem condições de se informar pode votar? Este tipo de eleitor apenas vota no candidato mais bonito ou no jingle mais bacana.

Por estes e outros motivos, o processo eleitoral tem uma tonelada de causos:

· Uma conhecida memorizou o número de seu candidato a vereador e foi para a urna. Lá, digitou o tal número, mas a foto que apareceu não era a foto do seu candidato. O que você faria? Ela apertou o "Confirma" e celebrou a democracia!

· Outro vota em Paulo Maluf sempre que pode, sem sequer tomar conhecimento da concorrência. Indagado sobre sua escolha, afirma que Maluf "pelo menos faz alguma coisa. Os outros não fazem. Já que nenhum presta, voto em quem não presta, mas faz". E temos um eleitor que faz valer o famoso slogan sobre este político.

· Carlos Heitor Cony diz, na CBN, que não foi votar. Cony é alguém com bastante cultura, que conhece bem a importância e o valor de um processo eleitoral, já que foi vítima da ditadura militar. Como alguém que tem todos os motivos do mundo para "celebrar a democracia" opta por manter a bunda no sofá neste dia de festa? (em tempo, estava fora do meu domicílio e por isso justifiquei, mas não faria nenhum esforço para votar, dentro do atual cenário).

· Alguns candidatos mal sabem soletrar o próprio nome e fazem do horário político um tributo ao marketing bizarro, repetindo seu nome e número com dificuldade cômica. Não quero ridicularizar limitações de terceiros, mas pelo amor de Deus: não permitam que estas pessoas se candidatem!

· No sul, Cinara Salles Mioso, candidata a vereadora em Porto Alegre, fez campanha com o número trocado e acabou a eleição com gloriosos 6 votos.

· Cariocas elegeram candidata que está encarcerada no presídio federal de Catanduvas (Fonte: Blog do Tas).

· Paulistanos elegem o pagodeiro Netinho, o gluglu Sérgio Malandro e o bufão Agnaldo Timóteo. O candidato mais votado, Gabriel Chalitta, foi o único que não respeitou a lei que proíbe colocar cartazes nas ruas. Logo ele, que já foi secretário de Educação de Geraldo Alckmin (Fonte: Blog do Tas).

· Um determinado candidato em São Caetano do Sul, que acabou com a paz dos que vivem na cidade, entupindo a rua com carros de som e emporcalhando todos os centímetros de parede com faixas e cartazes. Será que foi conincidência que este candidato tenha sido o mais votado? Outro determinado candidato fez campanha sem ter tanta verba e recebeu apenas 10% dos votos do primeiro colocado: outra coincidência, por certo.

Eleição é algo para quem tem estômago forte, não importa se você apenas vota ou se também é votado. O processo tem seus méritos (a tecnologia dá um show, do voto à apuração), mas tem muita coisa abominável.

É melhor votar que viver em uma ditadura, mas pensar assim é acreditar que a única alternativa para a palhaçada eleitoral atual é a ditadura. Não, não é! A alternativa para o lixo que temos hoje é tornar o voto facultativo e evoluir (muito) a lei eleitoral.

É parar com a hipocrisia de permitir o voto do analfabeto. É exigir representatividade para partidos e candidatos. É exigir (de verdade) ficha limpa para todo candidato. E acabar com a propaganda gratuita na TV (que tal dar um canal gratuito para este fim? Quem quiser, que sintonize a propaganda). É exigir que o candidato seja alfabetizado e que saiba expressar suas idéias, nem que, para isso, seja preciso aplicar uma prova para aquele que deseja se candidatar. É proibir o emporcalhamento das vias públicas com propaganda e também a perturbação da ordem pública com carreatas ou foguetórios. É usar a força da internet e exigir que todo candidato disponibilize suas propostas em um site. É parar de fazer vista grossa para um político que ganha R$ 450.000 durante 4 anos de mandato, mas que aumenta seu patrimônio em 2 ou 3 milhões.

Vindo lá do café-com-leite, evoluímos muito quando o assunto é disputa eleitoral. Só que já passou da hora de se contentar com esmolas. Já passou da hora de cobrar da mídia, dos candidatos e dos eleitores uma postura mais madura e exigente sobre este processo. Se este passo não for dado, é melhor olhar um pouco mais para trás: se considerarmos os homens das cavernas, aí sim, evoluímos de verdade!




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