A música "Não existe amor em SP", do cantor Criolo, talvez fosse mais apropriada aos mineiros, já que são eles os mais carentes entre os povos da região Sudeste do país. Pelo menos é o que dizem os entrevistados na pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), encomendada pela Johnson & Johnson. Segundo o levantamento, 31% dos mineiros se sentem carentes, contra 23% dos paulistas e 22% dos cariocas. O Espírito Santo não participou do estudo.
A administradora Gabriela Hostalácio, 38, é um exemplo de quem se sente carente. "As pessoas estão se reservando cada vez mais, sendo egoístas. Sinto falta de companheirismo. Muita gente se assusta com quem gosta de demonstrar afetividade, porque não está acostumada".
Dar e receber. Os mineiros aparecem também em destaque quando questionados sobre o carinho recebido ao longo da vida. Apenas 22% das respostas foram positivas. No caso dos paulistas, foram 45%, e dos cariocas, 42%. Foram eles ainda os que menos admitiram dar carinho entre os moradores da região Sudeste. Apenas 36% dos entrevistados no Estado disseram já ter dado carinho durante a vida. Os cariocas são os mais afetuosos, com 45%, e os paulistas aparecem logo depois, com 42%.
Para o professor de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Eduardo Gontijo, a individualidade, que se tornou uma característica do mundo atual, é o principal entrave para a troca de carinho. "O indivíduo só pode contar consigo mesmo e isso acaba levando à solidão", explicou.
O servidor público Rodrigo Rocha, 26, sente essa solidão. "Sinto falta de carinho. É uma saudade não por alguém em específico. Para o homem é ainda mais difícil demonstrar, porque essa afetividade é vista como um sinal de fraqueza".
O professor José Roberto Leite, chefe do departamento de medicina comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), fala sobre a importância do carinho na construção da felicidade. "Por mais que as pessoas estejam cada vez mais individualistas, elas precisam criar laços e se sentir amadas", disse.