Bom, o 29 de cada mês é consagrado à tentativa de ganhar um dinheiro-gourmet: basta praticar esta simpatia que é conhecida há muitos anos e em vários países do mundo.
Segundo a lenda, São Pantaleão, médico e monge italiano (e hoje mártir-santo da Igreja Católica, porque foi torturado pelo Imperador Maximiano por não ter renegado a sua fé cristã) pediu comida em uma casa humilde, de uma pequena localidade da Sicília, no sul da Itália e foi convidado a se sentar à mesa. Isso foi no inverno do ano 300 e da nossa era.
Depois de receber nhoques para se alimentar, o andarilho revelou a sua verdadeira identidade e teria agradecido a generosidade dos anfitriões fazendo um milagre: notas de dinheiro apareceram embaixo dos pratos dos donos da casa.
Obviamente a notícia se espalhou pelo vilarejo e os outros habitantes passaram a repetir o ritual, criando-se a tradição de servir o Nhoque da Sorte no dia 29 de cada mês. Os italianos chamam de "Gnocchi della Fortuna" e o sociólogo paulista Gabriel Bolaffi, no livro A Saga da Comida, diz significar algo como pelota, isto é, uma pelotinha de farinha amassada com água.
Se a lenda é recente, (chegou ao Brasil na década de 70 - via São Paulo - vinda da Argentina, onde desembarcou nos anos 40) o nhoque, como alimento, remonta ao tempo da presença grega na Ítália, mudando conforme os ingredientes da massa e do molho.
O nhoque começou a ser elaborado com várias farinhas - sobretudo a de trigo - mas, também, com arroz e até com miolo de pão. Anos depois, a massa foi enriquecida com espinafre, queijo, castanha, carne ou peixe e, só após a introdução do milho na Itália, em meados do século 16, surgiu o nhoque de polenta.
A chegada da batata, no entanto, entre os séculos 16 e 17, é que consagrou a receita que conhecemos hoje, mas para "render" dinheiro, há que se observar o seguinte ritual:
Coloque uma nota que represente o seu valor máximo - em geral 100 - de dólar, euro ou real, embaixo dos pratos com nhoque que forem ser servidos. Em seguida, fique (ou continue) de pé - Pantaleão era andarilho - e separe setes nhoques. Coma-os um a um. Para cada nhoque, faça um pedido diferente. Depois, sente-se e saboreie o restante do prato, de preferência com um bom vinho tinto italiano ou um Merlot chileno.
Atenção: este dinheiro colocado sob o prato deve ficar guardado até o dia 29 do mês seguinte, para garantir a fa(r)tura. Outros dizem que deve ser dado a alguém que necessite.
Sugiro um "mezzo a mezzo": guarde metade e doe a outra metade 30 dias depois.
Ah, sim, você sabe "produzir" um nhoque?
Então lá vai a receita de um nhoque de alho-poró:
1 quilo de batatas de polpa branca
3 e ½ xícaras (chá) de farinha de trigo
1 colher (chá) rasa de sal
1 pitada de noz-moscada
1 ovo
Molho:
10 colheres (sopa) de manteiga
½ xícara (chá) de vinho branco épures
70 gramas de nozes ou pinholes
queijo parmesão ralado
sal e pimenta-do-reino
1 maço de sálvia
3 alhos-porós