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Publicado em: 11/07/2011

Roda da Misericórdia ou dos Expostos, era uma espécie de armário instalado nas portarias dos conventos, hospitais e casas de misericórdias. A primeira dessas engenhocas que se instalou por aqui, foi na Santa Casa de Misericórdia na Bahia por volta de 1734. Nessa roda, a mãe, de moral ilibada, depositava seu recém-nascido, sem precisar se identificar mediante qualquer pessoa ou mediante a sociedade tão permeada de bons costumes.

Quase sempre estes enjeitados eram frutos de relações amorosas, cuja sociedade ignorava ou fingia não saber, pelo menos. A roda dos expostos era comum em várias regiões do país. Era um método usado para recolher crianças abandonadas, que eram criadas em instituições especificas.

Bom, os tempos são outros, a roda dos expostos já não existe mais no Brasil, mas os frutos de relações indesejadas, veladas, estão sendo abandonados e, desta vez, enrolados em sacolas de supermercados. Faz-se um embrulho humano e deposita em alguma calçada, lixeira, pé de árvore ou ainda pode-se arremessar em algum córrego (esgotos a céu aberto).

Sorte do bebê, quando algum cachorrinho em seu passeio diário percebe um embrulho que mexe, cheira e aí se dá o milagre de ser achado e socorrido. Aí um segundo nascimento, desta vez, quem sabe com a sorte de ir para uma instituição, posteriormente ser colocado numa familia que lhe dê a oportunidade de viver, amar e ser amado.

Já escrevi sobre isso, mas a situação é recorrente a todo instante. Sinceramente, gostaria que houvesse campanha contra esta e outras violências contra a vida, mas acabar com este abandono é uma utopia.

Não tenho vergonha de dizer que assisto alguns programas “sangrentos” de final de tarde. A toda hora se fala de abandono de incapaz, abuso sexual, espancamento de crianças, idosos, etc. Pessoas com direitos violados e quem deveria cuidar desses, na maioria das vezes é seu algoz.

O ato de não assumir a maternidade de uma criança não é crime, mas colocá-la em risco é crime tipificado em lei. A criança pode ser entregue na Vara da Infância e da Juventude, sendo esta encaminhada para instituição de acolhimento e posteriormente para adoção. Criança recém-nascida tem chance de ser adotada facilmente. Dentro de hospitais existe o Serviço Social que pode ser acionado em caso de renúncia da criança e este tomará as providências de encaminhar o recém-nascido para instâncias pertinentes.

A roda dos expostos não existe mais, porém cumpriu seu papel em seu tempo, no sentido também de proteger a criança entregue, contudo não podemos concordar que as crianças abandonadas na atualidade possam correr todos os riscos com a situação de abandono dentro de sacolas plásticas nas ruas e vielas das cidades. A vida é muito preciosa para ser embrulhada em sacolas e jogada fora, tendo maior sorte aquele que é encontrado por alguém em seu trajeto diário.





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