Olá Leitores! Quero agradecer a todos vocês que sentiram minha falta neste tempo de ausência e reclamaram para que eu voltasse logo. Então vamos lá para mais uma coluna. O assunto deste mês foi sugerido por um leitor.
Numa coluna anterior eu fiz um questionamento que não foi tratado especificamente e este será o assunto: O que leva uma pessoa a desistir de si mesma?
Eu não me sinto competente e não sei o suficiente para responder a essa questão, porém, posso colaborar com minha pouca experiência como Psicóloga e principalmente como ser humano.
Acredito que o que leva uma pessoa a desistir de si mesma é um conjunto de fatores e hoje vou falar sobre um deles, para que a coluna não fique muito extensa e para que vocês não fiquem com preguiça de ler.
Primeiramente quero falar sobre a AUTOCOBRANÇA. Sintoma de pessoas que se cobram demais e que exigem muito de si mesmas, não se sentem ou poucas vezes se sentem adequadas, estão sempre fazendo muitas coisas ou deixando de fazer por medo de serem julgadas. A pessoa que se cobra demais pode ter dois movimentos principais, ou ela vai produzir muito ou vai desanimar ou ainda vai caminhar pelos dois pólos: desânimo X produtividade excessiva. A que produz muito, normalmente é ansiosa, inteligente, perspicaz e bem sucedida, mas, todo reconhecimento do mundo não é suficiente para que ela se sinta feliz. A pessoa que tende para o desânimo, na maior parte das vezes, sente que qualquer coisa que ela faça, não será suficiente, então, acredita ser melhor não fazer nada, nem tentar. E a que caminha pelos dois pólos alterna nos dois ciclos, ora desanima, ora produz muito, mas, o sentimento predominante é o de inadequação.
A autocobrança pode até fazer uma pessoa produzir e evoluir, mas o excesso desgasta, causa ansiedade, somatiza em problemas físicos como dores de cabeça, problemas na coluna e articulações, dores no peito, entre outros e pode até se tornar uma obsessão por acertos, por perfeição, uma intolerância extrema com erros próprios e alheios.
A lógica da desistência de si mesmo é fácil de entender: Se eu não me sinto suficiente nunca, em algum momento, eu acabo cansando e desistindo. Quando uma pessoa chega neste ponto ela já está sofrendo de intolerância extrema, vive alternâncias de humor, evita compromissos sociais e já não sente prazer pela vida e pelo cotidiano.
Encontro muitas pessoas ansiosas com a vida, tentando se adequar a tudo aquilo que outras pessoas dizem que é adequado profissionalmente e pessoalmente. Para mim, este é o primeiro estágio de um processo mais grave de autocobrança. Tudo bem que devemos adquirir sempre mais conhecimento,
trabalhar nossa evolução moral, dar saltos profissionais, mas daí a sermos perfeitos e corresponder a todas as expectativas é muita coisa para um ser humano.
Um cuidado que acho de extrema importância é o seguinte, pare e pergunte-se: para quem você faz o que faz? Com que objetivo você faz o que faz? Para a satisfação de quem você faz o que faz?
Pense e analise suas respostas, não existe ninguém mais primordial do que você mesmo. Se nas suas respostas não contiver “eu mesmo”, acho bom você rever o que você está fazendo da sua vida. Não é um “eu mesmo” egoísta, mas um “eu mesmo” consciente de que se nossas necessidades principais não estão sendo satisfeitas, vamos acabar cobrando isso dos outros e “os outros” não podem dar tudo o que queremos e aí nos frustramos.
Então qual é o melhor remédio para a autocobrança? Auto-aceitação!
Se nós não nos aceitamos, não há reconhecimento no mundo que possa nos deixar felizes genuinamente.
O pepino é com a gente mesmo e a solução está em nós. Comecemos sendo humildes e assumindo nossos defeitos e limites para nós mesmos. Não há alívio maior do que deixar de carregar o peso da perfeição. Pense só que delícia poder ser gente, assumir que sente raiva, inveja, desejo, vontade, necessidade, assumir fraquezas e abrir mão da postura de super herói.
Acho muito natural e saudável construirmos um eu ideal, aquilo que desejamos ser, porém, é muito prejudicial vivermos uma mentira, pois, nosso eu real precisa ser visto, olhado, amado, aceito para que nosso eu ideal possa florescer.
No caminho para o equilíbrio e para a saúde é imprescindível se olhar com amor, não digo aquela coisa forçada de se achar mais do que os outros, mas exatamente o oposto, sentir amor por si mesmo, mesmo sabendo quem somos de verdade. Isto é aceitar-se.
Como já disse, desejo escrever mais sobre o assunto, hoje deixo vocês com uma pequena dica: Comece aceitando as mínimas coisas em você e nos outros, que a transformação começará acontecer.