Tenho estado bastante ocupada e por esse motivo as colunas estão ficando mais escassas, porém, não desisti de escrever. Sempre me lembro dos leitores, principalmente daqueles que me fazem saber que lêem a coluna enviando suas opiniões pessoais, fazendo críticas e me ajudando a crescer.
É quase sempre uma tarefa difícil escolher um tema para dissertar, pois, na maior parte das vezes eu vislumbro um assunto e seus desdobramentos. Essa coluna eu vou dedicar a um assunto que é extenso em essência, mas que me esforçarei para deixar simplificado.
Por causa da minha atuação como Psicóloga e como Consultora Comportamental acabo tendo oportunidades de observar pessoas no contexto de trabalho, para ser mais específica, observar pessoas dentro do contexto empresarial. Tenho percebido um fator comum nos conflitos, as pessoas, no geral, costumam adotar uma postura reativa e absorver o trabalho e os conflitos provindos deste, como algo pessoal.
Vou explicar, se um chefe chama a atenção de uma pessoa no trabalho, essa pessoa tende a se sentir atingida pessoalmente, em sua estima, em seu valor e em sua motivação. Se um colega tentar ajudar outro dando opiniões sobre sua tarefa ou apontando uma possível falha, a pessoa “criticada” costuma se doer. Se alguém em um momento crítico, de decisão e de foco não tiver tempo para dizer um, por favor ou obrigado a um subordinado, essa pessoa é interpretada como mal educada, grossa e egocêntrica.
Tenho, realmente, presenciado pessoas adoecerem por causa dos conflitos no trabalho, tenho percebido, como nós, seres humanos estamos quase sempre julgando, classificando e necessitados de reconhecimento e significado. Ficamos tão focados nas atitudes dos outros, de como fulano é assim e beltrano age assado que nos tornamos somente reativos e deixamos de ter atitudes genuínas.
Vamos a alguns exemplos de reações. Se sairmos para trabalhar preocupados com o fato de que teremos que agüentar fulano ou beltrana do lado o dia todo com aquele jeito que não suportamos estamos indo trabalhar armados e desfocados de nossos motivos genuínos, portanto, estaremos numa postura reativa ao outro. Se sairmos para trabalhar focados em nossos motivos como vontade de crescer, situação financeira, ter uma ocupação, entre outras coisas que podem ser fatores motivadores para qualquer ser humano, estaremos tendo uma atitude de maior assertividade. Ter como ponto de partida o outro e, por outro, entenda todas as pessoas, é somente reagir, e reagir o tempo todo é gastar energias que poderiam estar sendo úteis para agir e realizar. Quando tomamos consciência da situação estamos estressados, desmotivados, doentes emocionalmente porque não suportamos o jeito de alguém, porque o chefe é egocêntrico, porque os subordinados são incompetentes, porque a empresa não dá condições, enfim, sempre acharemos um culpado por nossas reações. Isso tudo não significa que estou defendendo uma pessoa chata, um chefe mala, uma empresa mal estruturada ou subordinados incompetentes, estou somente dizendo que podemos perceber as coisas fora de nós, porém, temos a opção de escolher reagir ou agir de forma assertiva.
Só para clarear um pouco mais, imagine uma situação onde você teve uma reação aumentada, uma crise de raiva ou uma bronca que deu em alguém; quando passou a situação qual foi sua primeira sensação? Provavelmente de que sua reação foi exagerada ou inadequada, porque no fundo sua sabedoria interior já sabia que você reagiu ao invés de agir. Você não fez o que gostaria de fazer, você fez o que a situação provocou você fazer.
Sei que o processo de crescimento e amadurecimento demanda tempo, vontade e decisão e isso cada um só pode fazer por si mesmo, mas sugiro que você tenha uma boa conversa consigo mesmo e se pergunte quanto tempo do seu dia você gasta reagindo e colocando a culpa das suas frustrações em coisas fora de você, quando na verdade essa responsabilidade é toda sua.
Eu finalizo por aqui, cheia de outras coisas que gostaria de complementar, mas por enquanto é isso pessoal.