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Publicado em: 16/01/2011

Vendo televisão deparamos com milhares de pessoas perdidas nas ruas das cidades invadidas pelas águas. Vidas invadidas pelo horror da perda de tudo, inclusive das pessoas tão caras para cada família. Choro, medo e dúvidas sobre o futuro. Surge o desamparo material e, principalmente, da companhia das pessoas queridas. Vidas sem rumo. Onde está o norte dessas pessoas? Se há um norte não está fácil encontrar neste momento de tanta dor. Perde-se o norte e surgem as dúvidas sobre o futuro neste desamparo que abate as pessoas diante da tragédia de cada dia, que aparece nitidamente diante de nós. Tragédia fotografada do alto, de perto e por vários ângulos. Dá para ver o pavor estampado nos rostos das pessoas. Vivemos esta situação nestes últimos dias.

Olhamos para a frente e o que vemos? Vemos tudo o que não queremos: destruição, medo, vidas destruídas. Qual a participação nossa nesta situação? Talvez não seja a hora, mas temos culpa. Vamos analisar como construímos nossas casas, como deixamos nosso lixo por aí. Aquilo que era algo, num segundo momento pode ser um lixo e ser deixado por aí.

Outra situação é a incompetência das autoridades públicas que não são capazes de uma política urbana descente. A existência de tudo quanto é irregular no uso dos espaços urbanos, principalmente da construção de moradia em locais impróprios para habitação. Quem deve cobrar desses políticos oportunistas que existem em tempos de eleição e que oferecem terrenos nas margens de rios, onde deveria existir mata ciliar, ou em encostas, despencando, embaixo de pedras. Doam materiais para construírem suas casas precárias, verdadeiras armadilhas em tempo de chuva como este?

De outro lado, há a ganância de construtoras que desmatam e constroem condomínios para ricos, sem se importarem com o que possa acontecer. Precisamos aprender a olhar e ver que onde havia matas nativas, hoje, está sendo ocupado por casas. Ora casa para ricos, ora para pessoas carentes. Este talvez seja nosso maior erro.

Quem seria capaz de colocar ordem nesta bagunça, sem o uso da demagogia de última hora, como acostumamos ver nas tragédias? Sobrevoar as áreas alagadas, palavras ao vento e, dependendo da autoridade, palavras idiotas, mas nada de ação concreta, de longo prazo, sem demagogia, sem pensar em votos. Na hora em que conseguirmos encontrar alguém compromissado com a ética e uso racional de seu trabalho como dirigente preocupado no bem geral das pessoas, estaremos encontrando nosso rumo como povo.

Não podemos achar que nosso país está bom porque temos condições de ser consumidores, mas ao olharmos para o lado vemos gente morrendo, gente sem educação de qualidade, sem saúde. Este é o rumo e depende de nós construí-lo. Um rumo não se faz sozinho, somos parte importante no processo de construção.

Levantar a cabeça e ter coragem para superar a dor e construirmos nosso rumo enquanto país que queremos. Melhoramos muito, mas falta um rumo mais digno para todos os brasileiros.




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