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Publicado em: 05/11/2007

Mais um político falando besteira em vez de trabalhar para o povo que o elegeu. Trata-se do Sr. Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, violenta, com sistema de saúde que não existe nem em país de “quinto mundo”, e aí por diante. A violência parece institucionalizada e a cidade desgovernada. Estamos falando da cidade do Rio de Janeiro, embora o distinto senhor seja o governador do Estado e não o prefeito da cidade. Porém, ao tecer seu comentário ele se referia à cidade em pauta. O Rio não é diferente de muitas cidades por aí. O que ocorre é que a cidade está na mídia nacional toda hora e tem um governo que gosta de falar besteira em rede nacional como outros políticos demagogos cheios de idéias mirabolantes para solucionar esta ou aquela situação.

O Estado brasileiro há muito tempo não vem cumprindo seu papel e deixa a desejar nos itens: saúde, educação, segurança, infra-estrutura e demais serviços que são direitos de cidadania. Até quando culpar somente o lado considerado mais fraco como responsável pelo que vem acontecendo.

O fosso social que separa ricos e pobres neste país é enorme. Pagamos muito imposto e as perguntas que deveríamos fazer são: “o que é feito com o dinheiro arrecadado?” “Por que o governo de um modo geral não oferece à população bons serviços, já que pagamos tão caro por isso?”

O governo está empenhado em distribuir pequenas quantias de dinheiro em seus programas sociais, mas não é capaz de oferecer serviços básicos como os citados acima. Por que temos tantas favelas espalhadas nas cidades brasileiras? As favelas são verdadeiros “aparteid” sociais. A falta de moradia popular empurra para áreas de favela, aquelas pessoas sem condições de habitar outros locais. O Rio de Janeiro é o retrato de um país desigual, onde o que se produz não é dividido com eqüidade, ficando parte da população à margem da sociedade.

Retornando a fala do governador do Rio de Janeiro, quando se refere ao “aborto como política de segurança pública”. Infelizmente trata-se de algo preconceituoso e idiota e deve enojar as pessoas sensatas. Que tal uma boa educação e, com certeza, cada família saberá planejar o número de filhos que deseja, de acordo com sua vontade e capacidade, oferecendo uma vida digna aos mesmos. Saberá também eleger seus governantes, evitando os políticos demagogos que infestam este país. Contudo, o próprio povo pode reverter este quadro demitindo o governador na próxima eleição. Se não bastasse todo o caos que assola a cidade, ainda um governador chegado a falar besteira. Desgraça pouca, é bobagem.

Não podemos aceitar a fala idiota do Sr. Sérgio Cabral, pois político neste país, não serve de exemplo para ninguém. Indignada, estou colocando aqui o artigo de Elio Gaspari, na Folha (só assinantes):

Gaspari: O oportunismo aborteiro de Sérgio Cabral


“Quando o governador Sérgio Cabral usou o trabalho do economista Steven Levitt (‘Freakonomics’) para defender o aborto como política de segurança pública, dizendo que a favela da Rocinha ‘é uma fábrica de produzir marginal’, juntou, num só ‘bonde’, oportunismo, impostura e ignorância.

Cabral é oportunista porque, em setembro de 1996, quando era candidato a prefeito do Rio, descascou seu adversário, Luiz Paulo Conde, por defender o aborto. Nas suas palavras: ‘Conde foi leviano. O que o Rio precisa é melhorar o atendimento na saúde’.
Continua oportunista ao tentar reescrever o que disse ao repórter Aluizio Freire, do portal G1, onde sua entrevista está conservada na íntegra.

Cabral praticou uma impostura quando embaralhou uma questão de direito - a decisão da Corte Suprema que, em 1973, legalizou o aborto nos Estados Unidos -, com as estatísticas do crime nos anos 90. A Corte decidiu uma dúvida constitucional: o direito da mulher de interromper a gravidez. Esse é o verdadeiro e único debate do aborto. Nada a ver com o propósito de fechar (ou abrir) ‘fábrica de produzir marginal’. Levitt, por sua vez, indicou que o aborto foi responsável por até 50% da queda na criminalidade americana. Em momento algum o apresentou como alternativa de controle da natalidade.

Pelo contrário, qualificou-o como ‘um tipo de seguro rudimentar e drástico’. Cabral submeteu-se a uma vasectomia e não terá mais filhos (teve cinco). Tanto Levitt como a Corte Suprema não atravessaram a linha que o doutor transpôs, vendo no aborto uma modalidade de política pública capaz de produzir segurança. Uma coisa é dizer que houve uma relação de causa e efeito entre a liberação do aborto e a queda da criminalidade. Bem outra é associar o aborto às políticas de segurança pública. A teoria de Cabral sustentou-se na ignorância. Ele disse que a Rocinha tem taxas de fertilidade africanas. Besteira, elas equivalem à metade.

Em 2000, o número médio de filhos nas favelas cariocas (2,6) era superior ao dos outros bairros do Rio (1,7), mas ficava próximo da estatística nacional (2,1). Quem acha que o problema da segurança está na barriga das faveladas, deve pensar em mudar de planeta. A taxa dos morros do Rio é a mesma do mundo. Nos anos 70, muitos sábios sustentavam que o Brasil precisava baixar sua taxa de fertilidade (5,8) para distribuir melhor a riqueza. Passou-se uma geração, a fertilidade caiu a um terço (1,9) e o índice de Gini, que mede as desigualdades de renda, passou de 0,56 para 0,57, chegando ao padrão paraguaio. Nasceram menos brasileiros, mas não se reduziu o fosso social.

A tropa de elite pode acreditar que se aprimora a segurança pública com o capitão Nascimento cuidando dos morros e o governador Cabral dos ventres. As contas de Levitt são honestas, suas conclusões são rigorosas e "Freakonomics" é um ótimo livro. Aplicando-se a outros números de Pindorama o mesmo tipo de tortura cerebrina a que Cabral submeteu as conclusões do economista americano, seria possível dizer que a queda de 67% na taxa de fertilidade nacional provocou um aumento de 300% nos homicídios no Rio de Janeiro.”




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