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Publicado em: 19/10/2006

Uma amiga está enfrentando problemas no casamento, consumado há cerca de 5 anos. A relação esfriou, diz ela. Trocando idéias sobre o que anda acontecendo, ela diz que quer liberdade, que deseja sair da rotina, mas ao mesmo tempo afirma amar o marido e tem medo de perdê-lo. Seria impossível discorrer sobre as causas desta crise, já que os motivos podem ser muitos, mas há um ponto que pode ser comentado: a incapacidade de conviver pacificamente com as restrições das decisões que tomamos.

Outra pessoa próxima está fazendo faculdade. Por decisão própria, estuda cerca de 8 horas por dia, além do tempo que passa na sala de aula. Em diversos momentos esta pessoa reclama, dizendo que "isso não é vida" e que não sobra tempo para nada além dos estudos.

Mais um caso... a revista Exame publicou há algum tempo uma matéria com 6 presidentes de mega-empresas. No meio da matéria, uma pergunta comum a todos: se você fosse fazer tudo de novo, o que faria de diferente? A resposta dada por todos foi: "Passaria menos tempo trabalhando e mais tempo com a minha família".

Nos três exemplos temos pessoas que fizeram escolhas importantes na vida, mas que reclamam do preço destas decisões. A amiga com problemas no casamento quer manter o marido e o sentimento que tem por ele, mas quer voltar aos tempos de solteira para aproveitar a vida. A amiga que estuda quer garantir um excelente desempenho acadêmico e ampliar suas perspectivas profissionais, mas sente que está deixando a vida passar sem aproveitá-la. Os presidentes conquistaram patrimônios invejáveis, mas sentem desconforto por terem prejudicado a relação familiar em função de suas escolhas.

Nossa vida é baseada em escolhas desde nossos primeiros passos. Comer a papinha ou ficar brincando? O tempo passa e esse cenário continua... estudar para a prova ou ir para o clube? Namorar a Priscila ou a Bruna? Aceitar aquele emprego ou começar um negócio próprio? Casar ou continuar solteiro? A lista é quase infinita...

Fazer escolhas é algo natural e a receita para não tornarmos a vida mais complicada é entender que uma escolha representa ganhos de um lado e perdas em outro. Mais importante ainda é saber aceitar isto!

Se optarmos por não estudar, mas por aproveitar o momento, provavelmente teremos ótimas histórias para contar, mas teremos dificuldade em conseguir um bom emprego ou uma promoção. Por outro lado, se passarmos os dias estudando, temos mais chance de obter sucesso profissional, mas talvez sintamos falta de momentos com amigos, viagens e diversão. Qualquer que seja a escolha, ganharemos e perderemos. Os presidentes de empresa que estavam na Exame, por exemplo, talvez não fossem profissionais de tanto sucesso se tivessem dedicado mais tempo às suas famílias.

Você nunca vai conseguir fugir destas decisões; vai ter que fazer escolhas o tempo todo! A minha receita para lidar bem com estes momentos é responder a uma única questão: O que é importante para mim?

A resposta muda ao longo da vida. O que é importante para mim hoje, pode ser banal amanhã. Mas o simples fato de pensarmos um pouco nisso antes de fazermos uma escolha pode fazer toda a diferença!

Troco de carro e fico pagando uma dívida por 3 anos ou economizo dinheiro para comprar o carro a vista no futuro? Depende! Se para mim é importante ter um carro novo para trabalhar e viajar, o financiamento pode ser algo fácil de suportar. Já se considero importante ter conforto financeiro, a opção de comprar o carro no futuro parece ser mais inteligente. Não existe resposta certa, porque a resposta certa depende do que é importante para mim.

E você... anda reclamando do seu emprego, da sua mulher (ou do seu marido), das festas que perdeu, dos porres que tomou, dos amigos e amigas que tem ou da sua conta bancária no vermelho? Da próxima vez que algumas destas coisas incomodarem, lembre-se que 99% da vida que você tem hoje é fruto das escolhas que você fez no passado...

Reclamar é normal. Ninguém é plenamente satisfeito com a vida. Todos nós temos dias onde o humor falha, onde não temos paciência. Mas na maior parte do tempo, se tomamos as decisões corretas, a sensação de satisfação e de felicidade serão maiores que as dores de cabeça do dia a dia.

Você não pode mudar o que passou, mas a cada dia terá novas oportunidades de fazer escolhas melhores e poderá escrever um novo futuro. Pense nisso... ou não... a decisão é sua!




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