"Câmara vota hoje pena maior para integrantes de quadrilhas"
Este é o título da notícia em destaque no portal G1. O poder, reativo como sempre, resolve se mexer e fazer alguma coisa para "resolver" a questão da violência que nos sufoca. Só esqueceram que antes de aumentar uma ou outra pena, todo o sistema deve funcionar.
Talvez sufocados pelos gordos bônus que recebem ou mesmo pelos 4 meses de férias a que têm direito, o Politicus Brasiliensis não consiga ver o que centenas de estudiosos e especialistas falam sobre o tema. Um dos principais comentários sobre penas é que "o importante não é a duração da pena, mas sim a certeza da punição". Sabia que menos de 2% dos crimonosos são condenados?
Impera a incompetência para se realizar qualquer coisa no governo em todas as suas instâncias. Além da corrupção tão divulgada e impune, esta afirmação pode ser reforçada ao se analisar fatos como a estrutura burocrática lenta e improdutiva, contratações irresponsáveis, mão-de-obra ociosa (paga com nossos impostos), funcionários não comprometidos com suas obrigações, sobrepreço em qualquer tipo de contratação e prazos injustificáveis para a realização de qualquer serviço. Vejam as obras do PAN. Vejam a duração da obra na Fernão Dias. Vejam o custo do Km de asfalto. Exemplos não faltam.
Permitir que o poder seja tão débil no cumprimento de suas obrigações é como aceitar o axioma de que o homem trai por instinto e por isso as puladas de cerca são naturais e não devem ser questionadas. Homens (e mulheres) que traem agem errado e desrespeitam seus parceiros. Governos paquidérmicos idem.
Mas esta estupidez somente se perpetua em função da fraca memória do povão. O cérebro tem que se ocupar com futebol, carnaval, cachaça e farra. Não sobra tempo para filosofar sobre coisas menos importantes como cidadania, cobrança de direitos ou meios de melhorar a vida. A população debate uma ou outra coisa com furor por alguns dias e depois tudo vai pelo esgoto. Políticos sabem disso...
Quer ver alguns exemplos de como tudo é esquecido rapidamente?
TIM LOPES - A Globo demonstrou a força do corporativismo e deu a este crime destaque superior a qualquer outro, empenhando esforços para que os criminosos fossem julgados. Hoje, apesar da violência do tráfico ter aumentado, ninguém comenta a barbárie, nem a Globo. Bandido preso, caso resolvido: próximo!!!
JEAN CHARLES - O sujeito é perfurado por tiros de policiais mal-treinados e sob comando questionável. Durante alguns dias, notícias em todos os jornais, protestos, faixas e velas. Hoje a única repercussão do caso é que Stephen Frears (diretor de cinema) diz que vai fazer um filme sobre a história.
JOÃO HÉLIO - Há 8 dias João foi assassinado barbaramente. O crime chocou a sociedade e sua missa de 7º dia virou uma passeata pela paz, cobrando uma atitude dos governantes. O fato ainda é recente e, por isso, ainda é tema recorrente na mídia. Afirmo com segurança que o assunto será esquecido em menos de 30 dias, INFELIZMENTE.
Valerioduto, Mensalão, Sanguessugas, Zé Dirceu, Palofffi, briga de torcidas...
...é como uma pequena dor-de-cabeça: espera que passa!
Ah, o cérebro... esse pequeno rebelde! A gente querendo mudar o mundo e ele, irresponsável, esquecendo de nos lembrar que para a indignação virar ação é preciso esforço, dedicação, união e muita insistência. Mas não tem problema não: no próximo escândalo ou crime sanguinário, ele (o cérebro) acorda e vai para a rua, com a cara pintada, bater panela! Quem sabe a coisa não anda?