Trabalho em uma empresa que atua em soluções para a internet. Há alguns dias decidimos contratar uma pessoa para trabalhar com a identidade visual de nossos projetos.
Entre vários currículos, um se destacou. Um bom portfólio era apresentado, mostrando que o candidato dominava as ferramentas que precisávamos. O chamamos para uma entrevista.
Durante a entrevista, confirmamos algumas informações, inclusive questões sobre os trabalhos apresentados no currículo. Após uma boa conversa, ficamos satisfeitos e o convidamos para trabalhar conosco. Proposta aceita.
Já durante o trabalho, passamos solicitações simples e vimos que o tempo destinado a resolver nossos pedidos era um pouco mais longo que o esperado. Talvez ele ainda não estivesse confortável.
Demos mais alguns dias. Novas solicitações. Após questionar o motivo de tanta demora, ouvi a resposta: "estou um pouco enferrujado". Ok, vamos dar mais uns dias para desenferrujar.
No décimo dia, quando um material impresso já estava com 3 dias de atraso, perguntei o que estava acontecendo. A resposta: "não estou muito habituado a impressos, mas depois que eu criar tudo é só finalizar... e isso não deve ser um bicho de 7 cabeças".
Para quem não trabalha com impressos, a finalização, ou, como chamamos, o fechamento do arquivo, não é um bicho de 7 cabeças... é um bicho de 50 cabeças!
E assim, quase duas semanas depois de contratar o sujeito, o demitimos. Aproveitei a ocasião para sugerir que ele revisasse o currículo para não prejudicar as expectativas da próxima empresa que engolir sua propaganda enganosa.
A revista exame publicou uma matéria há alguns meses, onde comentava sobre as mentiras mais comuns nos currículos. Realizações, cursos, competências... muita gente valoriza alguns pontos para dizer que é mais capacitada do que aparenta ser.
Algumas vezes, uma mentira pequena e inofensiva é permitida, apesar de colocar em questão o seu caráter. Valorize uma viagem ao exterior ou mesmo algumas de suas características pessoais, mas não vá contar mentiras que possam prejudicar suas novas funções.
Se você não fala inglês de verdade ou espanhol, não diga que é fluente. Se não domina Excel, não sabe programação, não é engenheiro formado ou não tem experiência em qualquer coisa, não minta! Jamais minta em questões técnicas... quando você conta mentiras assim, ser pego é só uma questão de tempo! Você até pode conseguir um emprego aqui e ali, mas nunca será uma pessoa confiável para crescer profissionalmente.
E mesmo que você pense "só quero entrar na empresa... uma vez lá dentro, eu me garanto", pense se isso realmente vale a pena: quando você é pego em uma mentira, a única coisa a fazer é demití-lo. Seja por você não ter uma competência que afirmou ter, seja por você ser uma pessoa sem valores, que desrespeitou aquele que decidiu lhe dar uma chance e conhecer seu currículo.
Se você mente em uma situação onde a transparência e o respeito mútuo são fundamentais, talvez você não seja uma pessoa confiável para nada.