Recebi uma mensagem enviada pelo meu pai, que mostrava americanos adultos e crianças, em um encontro descontraído de final de semana. A diferença para um despretensioso churrasco era que o item principal do encontro eram armas! Cada um com a sua, e todos praticando tiro ao alvo, se divertindo com os disparos dos mais diferentes modelos.
Meu pai, totalmente contrário à posse de armas por qualquer um que não seja uma autoridade policial, chama os retratados no vídeo de desumanos.
A posse de armas e sua utilização como um hobby é um tema polêmico. É difícil separar o hobby das desgraças que envolvem a utilização criminosa de armas quando se fala sobre o assunto. É como se a existência de uma arma despertasse uma besta que habita secretamente qualquer ser humano.
Não quero discutir se armas são legais ou não. Tenho a minha opinião sobre isso e você tem a sua, mas quero discutir a bestialidade...
Vi ontem as imagens de um ladrão americano que espancou um senhor de mais de 90 anos de idade para roubar seu carro. No Brasil, dois bandidos atiraram em uma grávida durante o assalto a um posto de gasolina, mesmo sem que ela tivesse reagido.
É fácil identificar bestialidade quando se vai tão além dos limites.
E quando a bestialidade se esconde no dia-a-dia?
Seu chefe grita e trata você como lixo. Você empresta dinheiro para um amigo que não lhe paga e o coloca em dificuldades, mesmo tendo condições de acertar as contas. Um cliente compra um produto ou serviço seu e não lhe paga, mesmo que você o tenha atendido corretamente, deixando você e sua empresa em uma situação delicada. Você comete uma distração no trânsito e ouve absurdos ou é submetido à violência. Ou, como aconteceu comigo, uma garota bêbada, de 18 anos, bate no seu carro e o pai a protege em vez de aproveitar a oportunidade para lhe ensinar algo responsável sobre a vida.
A bestialidade não está na posse de uma arma, em um carro ou no consumo de bebidas alcoólicas, entre outras possibilidades. A bestialidade está em situações onde o respeito e a dignidade poderiam existir, mas são varridos para baixo do tapete por pessoas que prejudicam outras conscientemente.
A cada dia, a cada ação, você tem a chance de ser uma pessoa correta. A distração ou o impulso não são justificativas para o comportamento bestial, sórdido, desrespeitoso.
Isso não é auto-ajuda ou somente uma dica "bonitinha". Ser responsável e respeitar os outros é fundamental para tornar a vida melhor... a sua vida e também a vida das pessoas com quem você se relaciona.
Um exemplo: há alguns dias perdi minha carteira em um evento, com R$ 300,00 dentro, destinados ao pagamento de um funcionário ao fim do dia. Em um dado momento meu nome foi anunciado nos alto-falantes, dizendo que eu deveria buscar minha carteira. Pensei: "lá se foi meu dinheiro!". Fiquei surpreso e muito feliz quando vi que tudo, inclusive o dinheiro, estava intocado. Misturei alegria e surpresa por ter sido respeitado por quem encontrou minha carteira e sequer se identificou e, o mais importante, aprendi na prática, como é bom agir corretamente... e como isso impacta em quem é beneficiado pelo comportamento digno.
Todo mundo tem deslizes ou momentos de raiva. Mesmo assim, pense antes de disparar, seja uma arma de fogo, seja uma agressão física ou verbal. Quem é vítima desse tipo de descontrole perde um pouco da admiração pela vida e por você.