"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons."
(Maritin Luther King)
Na fila para pagar meu almoço de hoje, duas pessoas se juntaram ao grupo que estava em minha frente, furando a fila sem cerimônia. Como hoje estou acreditando que minha tranqüilidade vale mais que uma discussão, assisti a tudo em silêncio, mas não sem pensar que o desrespeito pelo outro está mais comum do que deveria.
Minha cunhada fez o mesmo em um shopping há alguns dias. Perguntei se ela achava isso correto e ouvi uma resposta afirmativa. Insisti e perguntei se ela achava correto prejudicar outras tantas pessoas que estavam na fila há mais tempo que ela. Ainda assim ouvi coisas parecidas com "ah... todo mundo faz isso... deixa de ser neurótico".
Uma mensagem do mural deste site fala do pessoal que se reuniu em frente ao clube para beber e fazer loucuras com carros e motos. É outra situação que se encaixa neste descaso. Som alto, gritaria, carros e motos em velocidade sem pensar no outro... nas pessoas que não têm nada a ver com o que está acontecendo.
O Fantástico de ontem (1º de julho) apresentou uma reportagem sobre os garotos do Rio que espancaram uma doméstica há alguns dias. Na matéria, mostraram o caso de um outro garoto que, em 1994, atirou em um operário com uma espingarda de pressão (chumbinho). A mãe deste garoto, em dado momento daquela reportagem, dizia que "se olharmos a fundo vamos ver que ele (o filho) não atirou em alguém, mas que tudo era apenas uma brincadeira".
Temos histórias e exemplos demais de que podemos tudo sem que haja conseqüências.
Furar fila, empinar uma moto, espancar alguém, brigar em dia de jogo, receber troco a mais e não devolver etc. Estes são deslizes morais que denotam ausência de maturidade, educação e respeito. Apesar das diferentes intensidades de cada exemplo, todos são farinha do mesmo saco. É gente que busca vantagem sempre, mesmo que isso represente prejuízo a outras pessoas.
Boa educação começa em casa, primeiro com o exemplo, depois com os limites que impomos à criança e ao adolescente, cujo entendimento da vida e da sociedade ainda está em formação. Quando pais ou mesmo a sociedade são permissivos demais, um deslize eventual passa a se tornar um comportamento bárbaro e repetitivo: posso fazer o que eu quiser!
Como pais ou futuros pais, ensinem valores corretos a seus filhos antes que a vida cobre um valor muito alto, e faça isso de uma maneira menos carinhosa. Como membros da sociedade façam valer suas críticas e exijam dos responsáveis ações à altura de suas atribuições. Exijam que a ordem seja cumprida e que aqueles que não a respeitam sejam repreendidos. O desejo de uma pessoa ou de um pequeno grupo não pode se sobrepor ao desejo de todos.
Eduquem as crianças para não ter que punir os homens.